domingo, 8 de novembro de 2009

Navegação Noturna

Queria aqui alertar os marinheiros e navegadores amadores um tipo de problema que, com a popularização cada vez maior dos barcos de passeio, está se tornando perigosamente freqüente nas águas brasileiras.
Junto com o despreparo de muitos marinheiros e navegadores amadores e a precariedade das sinalizações noturnas, a navegação noturna fica ainda mais perigosa.

É Necessário uma atenção especial, que, infelizmente, nem todos os marinheiros e donos de barcos (que principalmente pilotam lanchas) costumam dedicar. À noite, a visibilidade é infinitamente menor (principalmente em relação aos outros barcos) e, com isso, desaparecem, também, todas as referências visuais conhecidas, como pontas, parcéis e bóias cegas. Dessa forma, até mesmo locais familiares tornam-se, subitamente, irreconhecíveis.

Para complicar ainda mais, a sinalização náutica brasileira é deficiente e, quase sempre, não iluminada. Assim, no escuro tudo fica bem mais arriscado e a única maneira de lidar com isso é duplicando a atenção e triplicando a margem de segurança.

O melhor mesmo seria evitar navegar à noite, especialmente em áreas movimentadas. Mas, se não der, navegue com cuidado, para que seu passeio não termine em tragédia.

Antes de escurecer prevenisse: Verifique se todas as luzes de navegação funcionam. Se uma delas não acender, tente conserta-la, caso não consgua não navegue. Use uma velocidade bem menor do que costuma navegar durante o dia, no caso de lanchas, a mínima para manter o planeio.Navegue fora da cabine, especialmente se ela tiver vidros escuros, porque a visibilidade fica menor. Apague as luzes do posto de comando (mas não as de navegação!), porque a claridade atrapalha a pilotagem.Use os equipamentos eletrônicos mais do que nunca, especialmente o GPS, cuja rota deve ser traçada antes. Prefira os canais mais largos, mesmo que isso aumente a distância. Atalhos sempre embutem maiores riscos. Peça silêncio a bordo, para poder ouvir eventuais buzinas de outros barcos em rotas de colisão. Siga os reflexos da lua na água, de forma a poder enxergar a tempo eventuais obstáculos à frente. Faça como os velhos marinheiros e use os bons e velhos faróis (de terra) para se guiar no meio da escuridão. Fique atento a sinais de espuma na água, porque elas podem significar arrebentações adiante. Não pilote como está acostumado a fazer durante o dia, e sim com o triplo de atenção.

Dicas do comandante Elyseo
Visite o novo site de negócios náuticos http://www.liberdadenautica.com.br/

Marinheiro Ney
Capitão Amador
E-mail e MSN: marinheironeycap@hotmail.com

Marinheiro não jogue óleo ou água da limpeza do porão no mar

Um bom Marinheiro deve estar sempre atento às Normas de Segurança para as embarcações, ler bastante, de modo a preservar a sua vida, a de outras pessoas e também do meio ambiente. O Marinheiro deve saber que é fundamental a importância de cuidar do meio ambiente. Por isso segue minha dica:
Nunca derramar óleo diesel, solvente ou gasolina, na água, mantenha a casa de máquinas da sua embarcação limpa e ao limpa-la leve os resíduos para coletores instalados em sua marina, se não o tiver vá a secretaria nautica e exija um.

Não despejar produto químico sem tratamento na água como, sabão em pó, detergentes fortes, tiners de limpeza, vaselina, graxa etc..

Não jogar lixo na água, tais como: papel, garrafas, plásticos, latas de refrigerante e de cervejas, etc. Traga para terra o lixo que foi produzido a bordo.

Mantenha a revisão dos motores do barco que você trabalha em dia, livre de fumaça negra e bicos desregulados. Bem como vazamentos de óleo do Carter e de óleo diesel.

Ao reabastecer o Jet ski e o motor de apoio do bote inflável cuidado para não derramar gasolina ou óleo lubrificante no mar.


Seguindo estas regras você estará com sua consciência tranqüila e estará colaborando na Prevenção da Poluição e ajudando a manter o meio ambiente em equilíbrio.

Marinheiro Ney
Capitão Amador
E-mail e MSN: marinheironeycap@hotmail.com

Alerta ao Proprietário de Barco!

Não entendo! Como um empresário que depois de “tanto trabalho”, compra uma embarcação, gasta uma fortuna e na hora de contratar um Marinheiro pensa em gastar pouco. Contratando uma pessoa não qualificada, sem experiência de mar, com equipamentos de navegação e de segurança para assumir sua embarcação.

O proprietário de barco tem que levar em consideração o valor do seu barco, a sua vida, e principalmente de sua família e de seus amigos que estão a bordo.

Muitos só dão valor a um marinheiro particular mais preparado, qualificado e experiente quando acontece um acidente grave: como a perda da embarcação ou de uma pessoa querida que esteja a bordo.

Vale lembrar que hoje o salário de um marinheiro considerado bom, (Mestre ou Capitão Amador) esta em torno de R$ 3.500,00 a R$ 6.000,00.

Os “Marinheiros” que estão fora do mercado (por incompetência ou começando na área como lavador de barco); esta assumindo essa responsabilidade muitos ainda “prematuros” e cobrando em torno de R$ 600,00 a R$ 1.000,00 para pilotar e navegar com barcos que chegam até 6 milhões.

É uma vergonha: Um bom Marinheiro já é a parte mais barata de uma embarcação. Para que economizar mais?

Os Marinheiros “Novatos” que entram para a área náutica começam a lavar um barco e em menos de dias já se acham “Marinheiros” apto para navegar com embarcações que valem fortunas. Isso não pode ser assim!!! Esses marinheiros têm que levar “em conta” o tamanho da responsabilidade que irão assumir, e meditar se ele estará pronto para grandes responsabilidades.

Não estou desqualificando os marinheiros “novatos”, pois acredito que eles também terão a sua chance, só digo que eles devem começar como ajudantes, segundo marinheiros e só então ao se achar que esteja “totalmente” preparado, assumir esses postos de grandes responsabilidades, porem se valorizando como profissional e mantendo o salário na media de mercado.

Marinheiros não qualificados e sem conhecimento, ao aceitarem receber baixos salários para assumir embarcação de luxo, querem provar o que? Se ele sabe que em uma navegação mal feita ele acaba assustando e tirando o prazer do dono da embarcação, fazendo com que aos poucos o empresário venda o barco e suma do mercado náutico.

Conclusão: Iate clubes, Marinas, estaleiros, revendedores, lojas náuticas, Marinheiros enfim; todos ligados de uma forma ou de outra a área náutica saem perdendo.

Por isso, você que é proprietário de barco de o exemplo, valorize seu marinheiro e invista nele, caso ele não seja o que você tinha em mente, contrate um marinheiros que tenha mais experiência e responsabilidade.

Marinheiro Ney
Capitão Amador
e-mail e MSN: marinheironeycap@hotmail.com

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Alerta aos Marinheiros Particulares do Brasil

Estive em Florianópolis na Capitania dos Portos de Santa Catarina há alguns dias e fui chamado à atenção pela autoridade máxima da Capitania que os Marinheiros Particulares serão observados com maior rigor em suas abordagens de rotina.

Segundo a Capitania dos Portos de Santa Catarina os Marinheiros Particulares de todo o Brasil estão trabalhando em situação irregular. Mesmo sendo reconhecidos pelo ministério do trabalho. Muitos marinheiros estão tirando a habilitação no “Grupo de Amadores” para trabalharem em embarcação de esporte e recreio como Marinheiro Profissional e que isso é errado segundo o Capitão. Esse tipo de habilitação é para proprietários de barco, o certo é o Marinheiro tirar sua habilitação no “Grupo de marítimos”.

A Capitania dos Portos de Santa Catarina ainda lembra das vantagens que o Marinheiro Particular terá no “Grupo de marítimos”. Direitos trabalhistas como Fgts, Aposentadoria, 13° Salário, Sindicato, convênios etc... E principalmente o reconhecimento profissional. O Marinheiro Particular poderá utilizar as regras da NORMAN 03 , mas a Capitania lembra que a regra estabelecida para Marinheiro que deseja trabalhar como profissional é a NORMAN 13 .

Por outro lado alguns marinheiros devem estar se perguntado, o que fazer agora?

Sei que será dificil mudar a habilitação de amador dos quase 66 mil Marinheiros Particulares pelo Brasil para Aquaviários.E é difícil de entender, já que estudei há vários anos para chegar a categoria de Capitão Amador. E agora trabalhando como Marinheiro Particular há mais de 20 anos praticamente não terei tempo de permanecer por meses em sala de aula da Marinha para estudar e subir vários níveis até chegar a uma habilitação igual às vantagens que a de “Capitão Amador” me da para navegar.

Além disso, outra dificuldade que os Marinheiros Particulares vão encontrar é com os donos de barco. Será que os Proprietários de barco vão contratar “Aquaviários”?

Muitos donos de barco exigem que um marinheiro para assumir sua embarcação tem que ter experiência de mar e carteira de Amador, isso para não pagar os direitos trabalhistas. Assim eles assinam a carteira de trabalho somente como “marinheiro” e se livram de futuros processos trabalhistas.

Penso que as Capitanias dos Portos de todo o Brasil aceitem as Carteiras de Amadores (Arrais, mestre ou capitão) como base para ser “cambada” para uma categoria no Grupo de Marítimos semelhante ou criar uma opção de estudo noturno para os Marinheiros Particulares que já estão embarcado.

Enquanto isso não acontece, deixo aqui meu alerta aos Marinheiros Particulares de todo o Brasil que querem entrar na função de marinheiro para que já se habilite e se regularizarem no “Grupo de Marítimos”.

Para mais informações. Visite o site da Associação www.aamcasp.com.br para saber mais sobre essa profissão

Marinheiro Ney
Capitão Amador
E-mail e MSN : marinheironeycap@hotmail.com

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Quem me vê acha que a vida do “Marinheiro Ney” sempre foi “um mar de rosa”.

Você acha que eu nunca passei uma situação de apuros no Mar? Quem me vê acha que a vida do “Marinheiro Ney” sempre foi “um mar de rosa”. Porem gostaria em memória do meu falecido tio (Zeca) contar a vocês uma das maiores aventuras que aconteceu no mar na minha vida.

Barcos de 33 pés podem tranquilamente trafegar pelas estradas em cima dos caminhões de fretes. Porem era fim de ano e “aquele” proprietário queria o barco Phanter 33 de qualquer jeito em Angra dos Reis.

Era dia 21 de Dezembro de 1989 quando o dono do barco procurou meu tio e pediu para ele colocar preço para levar o barco Panther 33, urgente para Angra, pois as transportadoras estavam em férias coletivas e só voltariam às atividades em janeiro.

Como na época os proprietários valorizavam bem os Marinheiros e os serviços de navegação eram reconhecidos. Meu tio cobrou a mesma quantia que uma transportadora iria cobra para levar o barco por terra.

O cliente não pensou duas vezes e tratou de pagar adiantado.

Dinheiro para o Diesel, também na mão do meu tio, só faltava alguém para acompanhá-lo na viagem. Foi ai que ele me procurou, pois sabia que eu estaria de folga nas festas de fim de ano.

Corri para casa fiz as malas e nos encontramos no dia seguinte no Iate clube de Florianópolis - Veleiros da Ilha para abastecer e colocar o “pé na água”.

Notei que meu tio fazia muitos cálculos de consumo e de milhas náuticas em uma papel, porem aquilo não era o problema. O que importava e era o tempo já que já era dia 22 e tínhamos que estar em Angra dia 24 (véspera de natal) pela manhã e com o barco limpo pronto para o proprietário usar.

- Vamos comprar alguns galões e abastecer com diesel e colocá-los no Cockpit do barco. (Ordenou meu tio). Então perguntei para ele se aquilo era preciso, uma vez que passaríamos por quatro pontos com local para abastecimento (Porto Belo, São Francisco do Sul, Paranaguá e Cananéia).

Escutei uma coisa que não queria escutar.

- Ney, vamos sair do canal norte de Florianópolis com um rumo direto na barra de Santos.

- Loucura!!! Com uma Phanter 33 se afastar tanto das costa, e ainda em um rumo só? Esse tipo de navegação e para veleiro. Logo respondi para meu tio, porem nem me deu ouvido já que era ele que estava no comando.

E às 10:00 horas da manhã estávamos a bordo para sair mar a fora, porem navegamos as primeiras milhas e a corrente da direção caiu. Ufa!! Ainda bem! eu já estava “agoniado” com aquela história de viajar em um rumo só e longe da costa com aquele “barquinho” de 33 pés.

Voltamos para a marina e comunicamos ao proprietário o problema com o comando. Como para o proprietário dinheiro não era problema. Em menos de 2 horas um mecânico da volvo estava a bordo para investigar o problema, buscar uma peça nova e finalizar o conserto até o final da tarde.

Mesmo sabendo que a previsão do tempo não ia ser as das melhores meu tio reprogramou a viagem para as quatro da manhã do dia seguinte. Agora minha preocupação passou de uma para quatro. Navegação longe da costa, o tempo que já era curto para entregarmos o barco em angra, o mal tempo que poderíamos pegar e a corrente da direção. Corrente na direção? É corrente mesmo, esses barcos na época vinham com correntes na direção das Rabetas.

Ja era madrugada do dia 23 de Dezembro. Soltamos os cabos do cais do Iate Clube de Florianópolis e saímos às quatros da manha como reprogramado com meu tio.

Mar de almirante, lua iluminada, ajudando a nos guiar na saída do canal norte de Florianópolis e tudo que eu temia parecia ter ido embora. Já eram dez horas da manha e pelo meus cálculo na carta e pela experiência do meu tio, estávamos com nosso bombordo de través a barra de Paranaguá. Só pelos cálculos mesmo, porque ver a barra de Paranaguá e principalmente os navios fundeados era impossível no rumo que estávamos.

Parada para refeição era hora de comer pedaços de galinha frita na farofa, refeição que minha tia tinha preparado para nós para aquela viagem. Detalhe essa refeição foi feita para comermos um dia antes e estava la na geleira.

Refeição feita à deriva em alto mar, casa de maquina vistoriada, é hora de seguir aquela tranqüila viagem.

Seguir viagem tranqüila? - Que nuvem preta é aquela na nossa proa? Pergunto para o Meu tio.

- São trovoadas isoladas. É comum aqui nessa região do litoral do Parana. Porem essas trovoadas costuma seguir para o mar. Responde meu tio.

Hum!!! Vou ficar de olho nela. E não é que a nuvem preta e carregada de chuva passou bem a nossa frente e seguiu para o leste. Ufa!

Mas meia hora de navegação tranqüila para eu ter a certeza que aquela velha frase que meu pai dizia era verdadeira.

“ não temos que ter medo do mar e sim respeito pelo mar”

Olhando para a proa do barco não víamos nenhum sinal de anormalidade no tempo. E conferi na carta estávamos no rumo certo e em breve estaríamos em no iate clube de Santos.

Porem “bendita” hora que fui olhar para a popa do barco.

- Tio que nuvem é aquela la atrás. Meu tio quando olhou não acreditou, era aquela trovoada que passou na nossa proa. E agora ela estava voltando pela popa, Meu DEUS!!! e acompanhada por uns “carneirinhos” brancos rolando por cima da superfície do mar.

Não demorou muito para aquela trovoada nos alcançar e começar a tornar um Inferno a nossa Navegação. A cada minuto que passava as ondas cresciam, acompanhadas de chuva e vento. Olhei para meu tio e vi ele apoiado com uma das mãos na ferragem do barco e a outra roda a direção... pra la, pra Ca, pra Ca pra la.... isso para não deixar o barco pegar um “jacaré” daqueles que vinham pela popa. Pois se uma onda daquela nos pegasse o barco viraria na certa.

Me lembro que meu tio dizia: ondas de 4, 5 metros a 5 metros coloque o salva vidas e pegue um pra mim. Eu estava apoiado no banco do carona e minhas mãos estavam travadas nas ferragens. Não largava de jeito nenhum. Mas fui dentro da cabine pegar os coletes e vesti um e coloquei outro nele enquanto ele brigava com o volante para não deixar o barco ser engolido pelas ondas.

Você acha que estava Ruim?

O pior estava por vir. De tanta preocupação com o tempo, ventos e ondas, esquecemos que estava na hora de abastecer. Os galões estavam ali no Cockpit cheios de diesel e tinham que ser drenados para dentro do tanque do barco senão mais alguns minutos, ficaríamos sem combustível.

Meu tio me pediu para segurar o comando enquanto ele preparava para fazer a transferência do diesel. E eu sem experiência na época peguei no leme e a primeira onda que embarcou pela popa, embicou a proa do barco na onda da frente com tanta violência que o mar arrancou os para brisas inteiro da Phanter 33 passando por cima de minha cabeça e caindo no mar. Meu tio largou o que iria fazer e pegou o comando da minha mão e ordenou que eu fosse abastecer o barco.

Seguindo as dicas que ele me dava (la do comando) tratei de preparar a transferência do diesel, e quando peguei a mangueira de uma polegada e fui sugar o diesel para drenar para dentro do tanque do barco,veio uma ondas e jogou o galão de 100 litros em cima de mim, não lembro de mais nada, pois fiquei bêbado, só lembro que tomei pelo menos um litro de diesel. Foi diesel para tudo quanto era lado.

O barco “chacoalhando” e eu abastecendo o barco com toda aquela maresia do diesel que caiu no Cockpit e meu estomago reclamando que alguma coisa não estava bem. – Vou vomitar!!!!

E la se foram embora o diesel que tomei e a Galinha frita com farofa que estava ainda no meu estomago em fase de digestão. Meu Deus!! Eu estava no inferno. Será que vou agüentar, não parava de marear, e meus pensamentos era naquela corrente da direção, será que iria agüentar, será que o técnico que a trocou não esqueceu de apertar um parafuso, era tanto coisa que passava pela minha cabeça que eu já estava delirando. Eu olhava para ao meu redor para ver se via outra embarcação ou um ponto de terra, e nada de ver se quer uma bóia. Isso é comum dos navegadores apavorados.

De tanto forçar minha vista para ver algo ao redor, mais algumas horas de navegação eu gritei para meu tio:

- Terra a vista... é a barra de Santos?

Meu tio Zeca experiente em suas navegações tinha que me responder, que aquele ponto de terra que eu avistei não era a barra de Santos, e Sim a ilha das queimadas grande – Litoral sul de São Paulo. Eu já tinha perdido a noção do tempo, dos cálculos que tinha feito na carta, etc. quando olhei no relógio ainda era 13:00 horas da tarde. E aquelas ondas ainda na nossa popa, nessa hora eu já estava me acostumando com os “arrotos” com sabor de diesel, com as batidas violenta com a proa da lancha na onda da frente e com o fato de estar tonto por causa do diesel que bebi.

Eu me questionava sozinho olhando para aquelas ondas vindo de popa: - tem marinheiro que ainda me diz que o pior é navegar de mar grosso de proa.

Mais algumas horas de viagem e as 17:00 horas da tarde começamos a avistar a barra de Santos, lembro que tinha uma garrafa de cerveja quente no barco, não pensei duas vezes em abrir e comemorar o Rumo certo do meu tio. Afinal foram quase 10 horas sem ver terra em uma lanchinha de 33 pés.

A barra de Santos estava virada no “Capeta” as ondas pareciam estar maiores do que la fora. Para se ter uma idéia quando chegamos ao posto de abastecimento do Iate Clube de Santos o frentista não acreditou que tínhamos acabado de chegar do sul com aquele tempo. Já que era dia 23 de dezembro e vários barcos estavam abastecidos no iate clube com seus marinheiros esperando o tempo melhorar para seguir para Angra.

No abastecimento meu tio me aliviou depois de uma ligação que fez ao proprietário do barco com a idéia da gente pernoitar em Santos e seguir para angra na madrugada seguinte. Reabastecido o barco e os galões reservas. Hora de conferir os estragos, do pára-brisa, patamar de popa, porta dos móveis quebrados e alguns aparelhos e roupa de cama encharcada de água salgada. Quando levantamos os paineros de proa veio o susto, as cavernas estavam se soltando do casco. Óbvio, que era para ter acontecido isso tantas foram as “pancadas” nas ondas la fora. Comunicamos o proprietário que não quis saber e mandou levar o barco par angra assim mesmo, e depois ele veria o que ia fazer.

Fomos jantar em terra firme e voltamos abordo para dormir. Nem foi preciso “contar carneirinhos”, encostei a cabeça naquela almofada ainda molhada e só acordei as três da manha, onde preparamos o barco e seguimos para Angra, porem com mar mais calmo até a ponta Negra. Para quem conhece a Ponta Negra e a ponta da Juatinga no litoral sul do Rio de Janeiro sabe do que estou falando.

Passamos essas duas pontas sendo chacoalhados novamente pelo mar. Porem por pouco tempo a te entrarmos na baia da ilha grande e logo ( - Até que enfim!!!! ) chegamos na Marina do Frade em Angra dos Reis, onde o proprietário do barco nos aguardava com sua família para sair com o barco.

Ele já estava preparado para ver o estado do barco, porem não se preocupou, nos agradeceu, pegou a chave do barco e navegou até o dia 02 de janeiro com sua família. Depois disso colocou o barco no caminhão e mandou para o estaleiro consertar os estragos.

E nossa aventura não tinha acabado, pois tínhamos que sair de Angra e voltar para Florianópolis, ou seja, fim de ano, rodoviária lotada e sem ônibus direto para nosso destino, passamos o natal dentro de ônibus urbano pinga – pinga, viajando de cidade em cidade e só chegamos em casa dia 26 de dezembro a noite. Foram mais 30 horas de viagem de volta. Mas eu estava tranqüilo porque dessa vez a viagem era por terra.

Conclusão dessa aventura:

“ NUNCA LEVE PARA BORDO GALINHA FRITA MISTURADA NA FAROFA”

Isso pode atrair mal tempo. Rsssss

Marinheiro Ney
Capitão Amador

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Os Melhores Marinheiros estão desaparecendo do mercado Náutico

Gostaria de fazer um breve comentário, sobre o Mercado para os Marinheiros de barcos de esporte e recreio.

Pretendo a partir desta data, ouvir a opinião de todos os marinheiros particulares que tiverem acesso ao meu Blog. Meu objetivo é futuramente chamar à atenção dos proprietários de barcos e principalmente dos estaleiros, que as vezes se esquecem que o marinheiro é a peça principal de uma embarcação.

Claro que com a tecnologia e quantidade de informações a bordo o filho ou neto do proprietário não vai ter dificuldades em operar o GPS e os equipamentos de bordo. Porem uma coisa não podemos esquecer, que a tecnologia não substitui 100% a experiência no mar de um Marinheiro. E isso muitos dos marinheiros tem.

Claro que uma minoria de marinheiros acaba atrapalhando o Mercado de tripulantes, mas queremos reconhecimento da nossa categoria e isso tem que acontecer. Queremos dar mais segurança a nossa navegação e garantir as vidas que estão a bordo dessas embarcações durante um passeio. Pois esse é nosso trabalho.

Aguardo comentários e opinião de Marinheiros e colaboradores de todo o Brasil e daqueles Marinheiros que estão embarcados fora do Pais por falta de reconhecimento dos proprietários e dos estaleiros aqui do Brasil. Temos que fazer algo e rápido, pois muitos dos marinheiros considerados melhores já partiram para outras atividades fora do mercado Nautico.

Mande seu e-mail Ou me Adicione no MSN marinheironeycap@hotmail.com

Abraço

Marinheiro Ney

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

E o Mercado Náutico para os Marinheiros como vai?

Já ouvi falar muito, por pessoas que não são do meio, que Marinheiro particular é uma profissão decadente e sem futuro. Grande erro dessas pessoas que pensam assim.
Os estaleiros não só no Brasil, mas no mundo inteiro estão vendendo cada vez mais barcos de esporte e recreio acima de 38 pés e com isso aumenta a procura por Marinheiros para pilotar esses barcos.

No Brasil a baixa do dólar e a estabilidade financeira contribuíram para a grande procura por barcos de fibra, isso pelo fato dos barcos terem a maioria de suas peças e matérias primas importadas. Outro fator foi abertura de créditos náuticos por bancos como ABN e FINASA para barcos de esporte e recreio.

Já esta faltando Marinheiro no mercado tenho o site do marinheiro particular desde 1999 ( http://www.marinheiroparticular.com.br/) e percebo nos currículos que me chegam via e-mail, que a Maioria dos marinheiros enviam seus currículos buscando reconhecimento profissional em outros barcos e não por estarem desembarcado.

Os Marinheiros particulares do Brasil, vem também se destacando no exterior, eu particularmente já tenho vários amigos que foram prestar serviços de entregadores de barcos na Europa e no Caribe e por La acabaram ficando atraídos pelos altos salários.

“- Ney, é incrível!!! La na Europa eles acreditam que não tenha lugar para se navegar no Sul do Brasil, a maioria dos navegadores locais que conheci acredita que é impossível embarcações pequenas navegar na America do Sul. Eles tem a visão que nosso mar é muito grande e lembram muito da Antártida e do cabo HOUR” . - Conta um amigo meu por MSN na Europa.

Aqui o setor náutico ganhou novos proprietários de barcos, alguns “Marinheiros de Primeira Viagem” e outros já experientes que estavam afastado por algum tempo. Todos em busca de marinheiros mais experientes. (caso que já esta ficando raro no nosso País)

Sabe quais os modelos de barcos que empregam mais marinheiros?
Dos barcos mais vendidos no Brasil “dou” destaque para as 380 full da Intermarine e as 55’ Milleniun da Spirit Ferretti que na minha visão, são os barcos mais procurados para navegar no nosso litoral. Um por ser o barco cabinado mais barato e de baixa manutenção, se comparado com os grandes yates e o outro por ser conhecido pelo “casamento”” Casco X Motor, ou seja mecânica simples e robusta, conforto e velocidade. A aceitação desses dois barcos no mercado foi muito boa. Desde que foram lançados não param de ser alvo na procura nas corretoras de barcos e mantém o emprego de muitos Marinheiros. Alguns Marinheiros já são exigidos pelo atual comprador na hora da negociação. Ou seja já é um acessório do barco.

Tento manter meu site sempre atualizado mais a correria do dia a dia e o grande números de e-mails que recebo fazem com que eu atrase a atualização do site. Por isso nesse Blog estarei colocando a situação atual da profissão dos marinheiros o mais rápido possível para que você esteja sempre informado.

Abraços e boa Navegação,

Marinheiro Ney
Capitão Amador
http://www.marinheiroparticular.com.br/
MSN: marinheironeycap@hotmail.com